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Belo Monte

Belo Monte
Nicias Ribeiro [*]


BELÉM DO PARÁ [ ABN NEWS ] - Em 1998, por decisão do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, a Eletronorte retomou os estudos de Belo Monte, na volta grande do rio Xingu, próximo à cidade de Altamira, neste Estado.

Como se vê, os estudos de Belo Monte foram retomados em 1998 e não iniciados, como pensam alguns. Na verdade, os estudos para o aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte teve início, ainda, na década de setenta, com o Projeto RADAN, quando foi estudado o fantástico potencial hidrelétrico da bacia dos rios Xingu e Irirí, que, aliás, é um dos maiores do mundo. Portanto, os estudos de Belo Monte ocorrem há mais de 30 anos e mesmo assim, o bispo da prelazia do Xingu – dom Erwin Krautler, ainda defende a necessidade de mais audiências públicas, como se a construção dessa hidrelétrica fosse uma catástrofe para o Xingu e a Transamazônica, quando na verdade será a redenção sócio-econômica de toda aquela região. Aliás, S. Exa. Revma. diz em sua entrevista em O Liberal de domingo passado, 22/11/2009, que “conhece o Xingu como a palma da mão”. E eu também, até porque, como deputado estadual, criei todos os municípios da Transamazônica, a exceção de Altamira. Aliás, não só criei os municípios, assegurando-lhes a autonomia político-administrativa, criei e também lutei pela instalação de suas Comarcas Judiciárias e Zonas Eleitorais, da Vara da Justiça Federal de Altamira, cuja emenda ao projeto de lei do STJ, foi de minha autoria. E isso sem esquecer, a grande batalha à implantação do linhão da Eletronorte que leva a energia de Tucuruí à região da Transamazônica e ao Oeste do Pará, inclusive ao Vale do Xingu. E é com a autoridade de quem presidiu a Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal, somado a 30 anos de mandatos eletivos consecutivos atuando na região, que defendo a construção da hidrelétrica de Belo Monte, por ser bom para Altamira, importante para o Pará e imprescindível para o Brasil, que precisa de energia nova, urgente, para evitar o blecau te de energia previsto para 2010 e de cujo assunto, aliás, tratei no artigo intitulado “Haja Belo Monte II”, publicado em O Liberal de 15/07/2005.

Sinceramente, e creiam-me todos que lerem este artigo, não há na história da engenharia, do mundo, nenhuma hidrelétrica que tenha sido mais estudada e mais debatida que Belo Monte. Aliás, foram realizados todos os tipos de estudos e levantamentos em quase todas as áreas do conhecimento, como o impacto ambiental, impacto sócio-ecológico, estudos antropológicos e até sobre a malária, na área de influência do projeto, como se essa endemia não fosse própria da região. Agora, o instituto Chico Mendes precisa fornecer um atestado de que a Usina de Belo Monte não vai alagar grandes cavernas. Mas não existe cavernas naquele lugar... Enquanto isso, as dezenas de cavernas existentes em Rurópolis e que eu pedi providências à então Ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, até hoje não foram sequer visitadas por esse instituto , como se elas não fossem importantes à pesquisa antropológica e ambiental.

Mas, qual é o problema com Belo Monte? Porque se criam tantas travancas, para a implantação dessa hidrelétrica, quando, sabidamente, é o mais perfeito e o mais belo projeto de hidrelétrica do mundo? Nem tanto por causa dos nossos excelentes engenheiros, mas porque a natureza foi pródiga e fez praticamente tudo, deixando para os homens apenas a construção dos canais, da barragem e a instalação das turbinas. Aliás Belo Monte, se comparada com outras hidrelétricas, terá o menor lago artificial (516 Km²) para gerar quase a mesma potência de Itaipu, que tem um lago de 1.478 Km²; e uma potência maior que a de Tucuruí, que possui um lago de 2.800 Km² de área.

Por outro lado, em Belo Monte, a área que vai ficar alagada, permanentemente, é a mesma que vai ao fundo todos os anos com as enchentes do rio Xingu, a cada inverno. E mais: o lago de Belo Monte, ao ser formado, não levará ao fundo nenhuma cidade, vila ou povoado, como sempre ocorre em obras dessa natureza. E se assim é, porque ainda tem gente que é contra Belo Monte? Só Deus sabe... Mas haveremos de vencer, até porque o Brasil é muito maior que a visão estreita de alguns grupos de brasileiros. A luta continua, pelo Brasil.


[*] Nicias Ribeiro, articulista colaborador da ABN NEWS - Agência Brasileira de Notícias [www.abn.com.br], é escritor, jornalista, professor, engenheiro eletrônico, físico, matemático, parlamentar e diretor da Federação Nacional da Imprensa [www.fenai.org.br] e da Federação das Associações de Imprensa do Brasil [www.faibra.org.br]